-Oi, tudo bem gato?
-Tudo.
-Por onde esteve ?
-Por ai.
-Faz tanto tempo que nao te vejo…
-Eh neh.
-Veio sozinho pra ca ?
-Vim.
-E ai gato, nao quer entrar ? parece que ta doido demais la dentro…
-Eh mermo… to bem aqui( toma um gole da cerveja).
Estou eu. Ali. Parado no meio da rua, no meio de armazens abandonados, no co-definido, inferninho da cidade. Meu dia nao foi dos melhores. Eu geralmente gosto das sexta-feiras e odeio que esse dia seja estragado.
La estava ela. Parada diante de mim, fazendo perguntas, procurando conversa. Eu nao estava pra conversa. Foi bom enquanto foi, hoje nao, estou cansado e de mal humor. Geralmente nao me dou o luxo de dispensar pessoas. Mais nao tenho regras.
-Que porra foi essa que tu tumo ? ta todo ai na tua, aconteceu alguma coisa ?
-Nada que eu queira voltar a lembrar agora… to tranquilo.
-Nossa ! vo entrar. Tu nao ta bem, odeio esses teus dias, essa tua tpm.
-Eh entre la, va pra la, eu to pensando, me deixe aqui mermo.
La vai ela. Eu nao tinha tomado nada. So fumei uns beck e tomei algumas cervejas, eu estava apenas anestesiado. A raiva se mantinha apenas no isolamento. Nao controlava meu corpo, apenas meus pensamentos.
(desperta rapidamente de seus pensamentos momentaneos e se da conta de que o restinho da cerveja esta quente, anda em direcao da barraca ambulante para mais outra, calado e contido dentro de si, observa o ambiente enqunato segue o seu pequeno trajeto)
-Ola, boa noite. Me ve ai a mais gelada por favor.
-Na hora patrao !
-Toma ai.. brigado hein, falo.
-Que nada amigo, falo !
(Se dirige ao canto da rua, se encosta na parede e toma a cerveja e acende um cigarro, enquanto isso, continua nos seus pensamentos, pouco se importando com o mundo a sua volta)
Essas situacoes me deixam puto, odeio ser chamado de patrao. Eu nao sou patrao de ninguem e nem quero ser. Porra, essas coisas que parecem ser algo inocente na verdade nao sao. Patrao, nao eh simplismente uma giria. Eh uma palavra que eh resultado da sociedade desigual que temos, onde pessoas se acostumaram tanto a se sentirem empregadas, dependentes ou chegando a um extremo psiclogico, poderiamos ate dizer que sentem um complexo de inferioridade, que carregam isso nesses pequenos atos. Que merda.(vai tomando a cerveja e fumando o cigarro continuamente, ainda enconstado no canto escuro da rua)
A rua esta lotada hoje. O som… como sempre alisa, mais eu tampo meus ouvidos com meus pensamentos. Me divirto sozinho mesmo assim, estou acostumado.
Observar essas pessoas felizes na minha frente me incomoda, por sera que esse disturbio
me traz esse mal estar ? acho que pelo fato de me odiar como um ser humano no momento. Neste plano de agora, odeio a todos, nao me preucupo com eles, apenas os odeios e nao os quero perto de mim agora, nao enqunato eu estou neste mundo. Este mundo que me encontro so me traz esses desgostos, essas visoes. Cai a mascara de todos, inclusive a minha, e sinto raiva. Isso pode ate parecer arrogancia mais nao eh, sao apenas os sentimentos de um dia horrivel, mais nao menos importante. Olho em volta, penso a possibilidade de voltar com alguma mulher pra casa, mais nenhuma ali presente me interessa hoje. Eh, a noite acabou mais cedo pra mim, o jeito vai ser fumar mais outro, toma mais um e ir pra casa, ja sao 4 da manha e minhas viagens nao dao tregua, a realidade me ganha facil, so um pouquinho dela, e ja pareco um velho rabujento, ainda me falta muito conhecimento e paciencia para que a briga seja justa. Isso me doi, as vezes me doi tanto que gostaria de nao pensar mais, ser apenas mais um abestalhado por ai.
(pausa de 1 segundo) Que nada, odeio demais esse mundo pra querer pertencer a ele. Olha ai a arrogancia….. mais nao eh.